reactable e o dia em que todos seremos bladerunners

Danusia R. @ 30.6.2007 @ Tempos hipermodernos @

Post roubado da minha amiga Dionea. Eu também, estou cansada de toda essa hipermodernidade nas nossas vidas. Se ao menos não ficasse só nisso, mas fica. Sempre fica. Quero voltar aos velhos tempos, quando Orkut e MSN não existiam, quando você só tinha acesso às pessoas via telefone. Às vezes cansa ser um simulacro.

Eu estava vendo os vídeos da turnê da Björk (2 posts abaixo) e deparei com um objeto estranho no palco: uma espécie de tabuleiro fluorescente, no qual um sujeito movia umas peças que emitiam sinais luminosos. Essa coisa futurista tem nome - é o reacTable (com T maiúsculo, porque é um trocadilho). O reacTable é, em resumo, um sintetizador virtual. Não é surreal?
Fiquei pensando no conceito de sintetizador virtual e lembrei da UNESP. A gente passava horas debruçada em textos sobre pós-modernismo e novas mídias, textos escritos quando os computadores tinham menos memória que meu Ipod. OK, não tínhamos Ipod na época, mas já então a discussão toda me parecia um deslumbramento com algo antigo, ultrapassado. Mas o reacTable trouxe tudo de volta com um espanto: o tal do simulacro não é discussão de velhinhos assustados com a internet porque nasceram num tempo em que nem TV existia. O hiper-real não é só uma crítica ao “nefasto” mundo da comunicação “sensacionalista” ou publicitária. Está tudo acontecendo agora, nas nossas vidas!
Nos blogs, orkuts, myspaces, messenger e second lives afora, todo mundo é um simulacro, é uma cópia de si mesmo, uma paródia, um pastiche, uma colagem, qualquer coisa dita nO que é pós-moderno - qualquer coisa, menos o que se é de verdade! O vazio de sentido que para os autores que eu li era “vanguarda”, hoje, por Deus, é rotina! Somos todos iguais aos filmes em que Nova York inteira explode, mas na verdade o que voa pelos ares é uma cidadezinha em miniatura. Nós exageramos nossa própria importância para sermos vistos, ampliamos e exibimos coisas mínimas: se apago meu scrap, imagino defender uma intimidade que na verdade não tem o menor valor; se escrevo meu cotidiano num blog, imagino minha vida algo de relevância suficiente para expôr ao mundo, quando na verdade… Cruzes! E eu que dava valor às palavras, fiquei me sentindo a maior ingênua. As palavras estão diluídas, no fim das contas nem há mais palavras, existem tags. E a sinceridade de alguém se mede pela quantidade de rótulos autodepreciativos que ela se atribui (por exemplo, participar de uma comunidade do tipo “eu só tenho um testículo” etc).
Acho tudo isso o fim da picada. Quero a volta do candeeiro, das pândegas, do mundo sem testimonial e sem miguxês, que pós-modernismo de cu é rola!

Aqui vale até o argumento da Unesp pra mim, porque a Dionea era minha amiga de classe na facul. Fizemos jornalismo juntas. Hoje estou desempregada, e ela trabalhando com Direito. Ah, esse jornalismo brasileiro, não sabe o que perdeu.

Comments

One Response to “reactable e o dia em que todos seremos bladerunners”

  1. William on July 1st, 2007 20:07

    Olá Danusa, gostaria de fazer troca de Links com meu blog ? por favor retorne pelo e-mail ;)

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